Capitão Fantástico - Crítica


Olá pessoas! Não sei quanto à vocês, mas um gênero de filme que me encanta é o já batido, porém sempre empolgante, Road Movie. Exatamente, filmes que tratam mais da viagem em si do que do destino final, filmes em que a jornada é mais importante que a linha de chegada. Isso parece um pouco com a vida real, não parece?


Nesse contexto, Capitão Fantástico (2016) é um ótimo road movie, mesmo seguindo estritamente a fórmula já estabelecida por longas como "Into the Wild", "Pequena Miss Sunshine" e (por que não?) "Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel", ou seja, não há pecado algum em permanecer dentro das diretrizes (pelo menos não desta vez). Dito isto, vamos ao que interessa.


Ben, interpretado por Viggo Mortensen (ahá! Mais uma referência à Senhor dos Anéis) é o pai e "capitão" de uma família um tanto diferente, pois, além de possuírem um estilo de vida alternativo no meio da floresta, seus filhos (tanto os mais velhos quanto os mais novos) são exímios atletas, possuem um grande senso crítico e uma intelectualidade acima do comum (bem acima eu diria). Neste sentido, após um acontecimento impactante, a família se vê compelida à ir para a cidade de pedra com uma "missão" a cumprir.


A narrativa nos envolve e, propositalmente, nos faz simpatizar com o modo de vida levado por esta família, nos empolgamos com seus costumes, sua sinceridade, conceitos do que é moral e, principalmente, com a liberdade para ser o que quiser, sendo alheios ao "Sistema" e exercendo seu direito de buscar a felicidade da forma que for conveniente.

No entanto, com o decorrer da história, alguns contra pontos são muito bem explanados e só então entendemos sobre o que este filme trata. Seria sobre família? Sobre autoritarismo? Críticas ao sistema corporativista? Liberdade? Felicidade? Podemos refletir sobre todas estas questões.


Em termos técnicos, o que se destaca é a trilha sonora muito bem dosada, de aspecto aventureiro e, sendo assim, envolvente. A direção de Matt Ross é outro ponto positivo, com algumas tomadas excelentes (como numa conversa noturna entre dois dos irmãos em uma quadra de basquete ao ar livre).

Talvez a principal falha deste filme seja manter muito do foco na figura do pai, deixando o resto dos personagens em segundo plano, seria muito gratificante conhecer um pouco mais sobre cada um dos filhos e sobre a relação entre eles, pois nos poucos momentos em que isso acontece, temos o vislumbre de algo muito curioso e instigante.


O Impacto entre a sociedade como conhecemos e o modo de vida no qual as crianças foram criadas é um fator muito interessante de acompanhar, com várias tiradas cômicas, principalmente naquelas que abordam situações cotidianas para nós "os escravos do consumismo". Todavia, é irônico que a fuga incessante pelo o que é imposto por nossa sociedade possa levar à uma outra espécie de condicionamento e, desse modo, a fuga do autoritarismo se torna apenas outra expressão de autoritarismo.


Bruno Balestrin

Um comentário:

  1. "a fuga do autoritarismo se torna apenas outra expressão de autoritarismo." exatamente!
    me interessei pelo filme pela tua visão. mas não me interesso por esse estilo de filme. o unico que vi nesse estilo é de comédia haha
    beijos

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