O Exorcista - 1973


Sei bem que o Halloween foi na segunda-feira, mas tem coisas que valem a pena a gente discutir, ainda que com um pouquinho de atraso. Clássico + Terror é um caso desses. Essa junção, que pode parecer fórmula certa de programação boa para o fim de noite, inclusive se for véspera de Halloween, gerou muitos pensamentos controversos ao ser assistido, frise-se que pela primeira vez, por esta que vos fala.


O clássico em questão é o famoso O Exorcista, de 1973 (pasmem! Mais velho do que eu! rsrs), para quem não viu o filme, confere só a sinopse:
Chris MacNeil é uma famosa atriz que está gravando um filme em Washington, onde mora atualmente com sua filha, Regan. Aos poucos, percebe que a filha vem demonstrando um comportamento estranho e atípico, o que faz com que a garota passe por diversos médicos e especialistas, na busca de uma cura para sua situação que fica cada vez mais gravosa. Quando nada mais resolve e a situação está insustentável, um dos psiquiatras sugere que a garota pode ter a crença de que está possuída, e que então, a mãe deveria providenciar um exorcismo, para livrá-la de tal crença. Assim, Chris procura o Padre Karras, que, após conhecer Regan, pede autorização a Igreja para realizar o exorcismo. A Igreja então, permite que o procedimento seja feito pelo Padre Merry e apenas assistido pelo Padre Karras.


Para quem pode ainda não ter linkado uma coisa à outra, esse filme é o da célebre cena em que a cabeça da menina possuída, Regan, interpretada pela atriz Linda Blair, dá um giro - xocante, à época - de 360º:


Como já disse, eu nunca havia assistido ao filme e tenho total noção de que os efeitos que temos hoje estão, em vários aspectos há milhões de anos luz daqueles existentes em 1973. Desse ponto de vista, mesmo percebendo 'a engenhoca que faz a cabeça girar' ou qualquer outra inserção de uma face demoníaca na garota, são passáveis e até bem elaborados, quando se trata de um longa de mais de quarenta anos atrás.


Na verdade, o que pecou no filme é o mesmo que acontece em alguns longas mais antigos (e em alguns filmes atuais também, mas com menor frequência), é a falta de explicação para as coisas. Por exemplo, em um dia vemos Regan completamente bem com sua mãe, no outro, ela dá um pequeno surto e, de repente, você fica sabendo que a garota têm apresentando um comportamento estranho há tempos. Não, você não sabia, porque a passagem do tempo não é clara.



Talvez a questão principal, que não sei se pode ser classificado apenas como de direção ou roteiro, é de entendimento da própria narrativa do filme. Que, por exemplo, lhe mostra longamente o relacionamento amoroso entre mãe e filha, numa inserção à vida cotidiana delas,  e que é transformado drasticamente, da noite para o dia, apesar de, o próprio filme dizer que não se trata de uma mudança do dia para noite.


Mas, como esse aspecto temporal que eu costumo considerar uma 'falha' é algo muito comum em filmes antigos, talvez seja mais uma mudança na perspectiva da narrativa cinematográfica do que um erro, por assim dizer, já que os filmes atuais, de modo geral, contam com perspectivas que sempre buscam direcionar melhor o espectador para a passagem de tempo e, assim se 'sintonizar' melhor na trajetória dos personagens (a não ser, por óbvio, que o intuito do filme seja causar uma confusão neste aspecto temporal. E este não é o caso de O Exorcista, sem dúvidas).


Os personagens, de modo geral, são bem apresentados, talvez com ressalva para o Padre Merry, que, aparece e é citado para ir lá e realizar o Exorcismo apenas. E, já o Padre Karras, é introduzido de maneira enfática e detalhada durante toda a trama, relacionando alguns aspectos de sua vida com o ritual que irá ocorrer. Linda Blair, que faz Regan, adianto, dá um show.


Não posso negar que a fama do filme não se justifique, a história têm o quê de amedrontar os mais sensíveis, principalmente pelo fato de que a pessoa possuída é uma criança. São os detalhes que sempre mais impressionam. Além disso, as atuações também são excelentes e ninguém parece ter caído ali de pára quedas, sem saber o que fazer, como acontece em alguns filmes de terror que funcionam com elencos de trabalho duvidável.


Confesso que sou feita de algo mais rígido e que, o filme, independente do nível de efeitos especiais, não me impressionou ou assustou. Mas também não chegou ao ponto de eu poder classificá-lo como 'terrir' (eu coloco muitos filmes que são para algumas pessoas assustadores, nessa categoria, como A Bruxa de Blair, que acho particularmente fraco e ridículo. Não tem nem o condão de causar tensão, como deveria... ahahah Sou bem exigente nesse aspecto).


Vi certa vez um documentário curtinho desses de intervalo entre filmes de canal fechado, falando sobre a produção do filme, como colocaram tiveram que ligar vários ar condicionado para que o quarto ficasse tão frio e como um padre benzia todas as manhãs os sets de filmagem (ok, não me lembro a frequência exata que era, mas ocorria). E esse foi só um adendo a título de curiosidade mesmo! rs


No fim das contas acho que falei mais da mudança da forma de se contar uma história em um filme do que propriamente dO Exorcista. E talvez possa dizer que o filme parece ser contado do ponto de vista de mãe e filha e não do exorcista em si, como o título sugere. Talvez O Exorcismo, funcionasse melhor. Mas isso, já sou eu divagando acerca de um clássico do terror e correndo o risco que os amantes do filme se preparem para contradizer- me. Encerro por aqui então, convidando quem não viu o filme a assistir e, quem já viu, me conta o que acha do longa! Quem sabe tenho outra visão dele?
xoxo

Fonte Imagens

Retipatia

2 comentários:

  1. O clássico do terror e que merece respeito.
    Lembro das vezes que eu insistia em alugar o filme na locadora, mas nunca conseguia chegar no final ahuhaiahu.. Só depois de grandinha que eu consegui

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  2. Acho que encontrei alguém tipo eu e minha mãe, gostamos tanto de terror e já vimos tantos filmes que a maioria tida como "terror" ou os mais antigos não nos assustam nem impressionam ... nunca gostei muito de O Exorcista ... anyway ... :*

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