Elantris - Brandon Sanderson


Olá pessoas! Terça-feira sempre chega e dessa vez vou trazer pra vocês uma pequena amostra deste livro, que não é tão conhecido, mas que deveria ser experimentado por aqueles que apreciam uma grande história, recheada de reviravoltas e com personagens pra guardar na memória, ou seja, deveria ser experimentado por vocês!

Essa obra gira em torno de Elantris, uma cidade esplendorosa no passado, resplandecia glória e benevolência, seus habitantes eram praticamente divindades, possuíam cabelos prateados e um tom de pele que reluzia naturalmente, além de serem dotados de uma longevidade que beirava à imortalidade. Qualquer habitante das redondezas poderia se tornar um elantrino, pois a Shaod (transformação) tomava pessoas aleatórias, poderia ser um mendigo ou um nobre duque, da noite para o dia tornava-se um semideus. A magia elantrina era conhecida por todos os reinos e muitos peregrinos vinham até seus portões em busca de cura ou outras benfeitorias que os elantrinos pudessem atender. No entanto, em um passado recente (10 anos) algo misterioso ocorreu e todo o esplendor de Elantris foi substituído por uma aura fétida e apodrecida, os habitantes da cidade se transformaram em algo semelhante à leprosos, sua pele tornou-se escura enquanto seus ferimentos perduravam pela eternidade, de modo que muitos elantrinos sucumbiam à dor e perdiam sua sanidade. Estes seres que antes eram adorados passaram a ser confinados dentro dos muros da cidade, enclausurados em seu eterno desespero.


É neste contexto que a história começa e somos apresentados aos personagens protagonistas. Raoden é o príncipe herdeiro de Arelon (reino localizado nas proximidades de Elantris). Certa manhã é acometido pela Shaod e, por ordens do pai, é exilado em Elantris. Raoden passa a conviver com a maldição elantrina e com a violenta e inescrupulosa sociedade formada no interior dos muros. Raoden é o típico personagem "perfeito" demais, inteligente, bonito, astuto e determinado, mas, mesmo com estes clichês, é fácil simpatizar com o personagem e se tornar um cúmplice de sua jornada de cunho trágico e mágico nas entranhas de Elantris

Sarene é a princesa do reino de Teod, possui um casamento arranjado com a finalidade de criar laços políticos e chega à Arelon com o intuito de fazer uma surpresa ao seu noivo Raoden, a surpreendida é ela, pois seu noivo foi declarado morto. Sendo uma mulher curiosa e perspicaz, Sarene não acredita no teatro montado pela realeza e parte em uma jornada de investigação, tomando rumos inesperados e chegando à desfechos interessantes que se desdobram em vários núcleos narrativos. Essa personagem é especial, pois num contexto de submissão feminina como a corte é retratada, Sarene quebra o paradigma de princesa indefesa ao desafiar o status quo e se impor como uma presença política ameaçadora.

Hrathen é um gyorn (uma espécie de sacerdote) de uma religião denominada "Shu Dereth", que possui um caráter militar e expansionista. Hrathen é incumbido de converter o reino de Arelon à sua religião sob quaisquer circunstâncias. Retidão e determinação implacável são características deste personagem (talvez o melhor do livro), o seu arco é muito interessante e o desenvolvimento do personagem é feito com maestria. Não irei me aprofundar em maiores detalhes para não prejudicar a experiência da descoberta de quem é este homem.


A narração dos capítulos intercala entre os personagens listados acima. Este recurso de escrita é muito competente em expandir a percepção que o leitor tem do mundo e dos próprios personagens, tendo em vista que Sanderson brinca com conceitos de bom e mau, e a todo momento faz o leitor questionar o mérito do seu julgamento, as vezes fazendo com que nos sintamos culpados por condenar determinados personagens sem saber de suas motivações, que são externalizadas posteriormente.

Brandon Sanderson é um autor de fantasia e Elantris é o seu debute no ramo. O ritmo da sua escrita é um pouco mais lento que o normal para livros deste gênero, principalmente na primeira parte do livro (que é dividido em tês), mas não chega a ser um empecilho para a leitura, pois Sanderson constrói com fluidez sua narrativa e envolve o leitor neste universo mágico e misterioso de forma competente.


Por fim, esta história não possui grandes batalhas entre exércitos, nem mesmo imensas criaturas mágicas, seu trunfo está em retratar as tramas e reviravoltas políticas e todo o arcabouço de tramas e negociações escondido nos bastidores da corte, a relação entre o fervor religioso e governo e seu expansionismo militar a qualquer custo, bem como as sutilezas e complexidades da magia deste mundo. Estes fatores são costurados de forma excelente e criam uma atmosfera incomum para o gênero, mas que produz uma história cativante, fantástica e épica.

Bruno Balestrin

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