O Domingo de The Walking Dead


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O domingo amanheceu com aquela preguiça habitual, um solzinho quente para muitos, uma chuvinha boba para outros. Ainda preguiçosamente, estendeu sua programação habitual com a dança dos famosos, as comidas de domingo, aquela preguiça de começar mais uma semana. Inofensivamente, deu aquela adiantada nas maratonas de séries atrasadas, aquele cochilo depois do almoço, aquelas horas a mais de leitura ou mesmo ver um filminho. Cada nerd com seu afazer favorito...




Início de noite, o coração já começa a se preparar porque mais tarde tem estréia. Mas, nada demais. Geralmente os 'inícios' não são impactantes como os 'finais' de temporada. Sempre rola uma lenga lenga de leve, para deixar que o término do episódio seja o ponto alto, para que se queira, obviamente, continuar a assistir a série.




Para abalar as estruturas domingueiras dos incautos (e, como diria uma amiga do Face, aqueles que não acompanharam as treze temporadas de Grey's Anatomy), o primeiro episódio de The Walking Dead, chegou chegando, em uma atmosfera que, como alguns disseram, parecia ter sido criada pelo próprio George R. R. Martin.




Com um início de arrepiar, que o faz o nerd expectador pensar que restam, além de Rick, um ou dois personagens vivos - e isso porque o próprio Negan afirma ter gente viva ainda, então acreditamos -, o primeiro episódio de TWD rendeu e ainda está rendendo discussões pela internet afora, que passam pelo conteúdo do que foi exibido e, mais principalmente entre a galera que adora dar spoilers X galera anti spoilers. Como não vamos defender lado algum da Força, vamos nos atentar para o episódio.




É fato que todos sabem, seja pelo próprio nome da série ou pela obviedade da coisa toda, que o tema principal são os mortos vivos, os já conhecidos e nunca repaginados zumbis. Mas, neste 7.1, eles foram totalmente negligenciados, deixados de lado mesmo. Não porque fossem desinteressantes ou porque já enjoamos deles. Afinal, um zumbi é um zumbi e não há muito que se discutir sobre eles. Perderam, como se sabe, o que tinham de humanos e agem como se fossem animais, reagindo ao seu instinto mais primitivo: o de se alimentar. Um verdadeiro retrocesso ao processo de evolução do homem.




Um zumbi atacando seres humanos passou a ser tema corriqueiro e, - tanto o é que eles foram quase que apenas peças decorativas nesse episódio - de fato, permanecer nesta tecla não traria grandes inovações à trama, tampouco conquistaria - e manteria - o público fiel e de longa data de TWD, afinal, já fazem seis anos desde a estréia do seriado.




Como ingrediente adicional à trama, que sempre desperta e sempre irá despertar a curiosidade e deixar a trama interessante, temos o elemento x: a natureza humana. Ou, mais propriamente dito, a capacidade que um ser humano têm em desumanizar-se.




Nesse ponto chegamos a Jeffrey Dean Morgan, que interpreta Negan. O que falar desse personagem? Ele mistura o pior vilão que se possa imaginar: não aquele que se assemelha ao Predador ou Alien, mas aquele que, aparentemente, nos é igual. E, por essa razão, é capaz de mexer com os sentidos e sentimentos mais profundos de cada um.




Particularmente, é preciso ser um ator muito, mas muito mesmo, muito fod* para fazer alguém do naipe de Negan. E Jeffrey o faz com louvor. Convenhamos que o assassinato em si, tornou-se tão banalizado que não traz sequer a impressão que deveria em cada um de nós e, por isso, além da atuação desconcertante de tão acreditável, por assim dizer, o mesmo veio acompanhado de uma boa dose de tortura, sadismo e, claro, falta de humanidade.





Um ser humano sem humanidade sempre será mais assustador que qualquer outro tipo de besta que se possa criar. E isso, é claro que roteirista, produtores e todo mundo mais, sabe bem.




Assim, foi criado um episódio que pode ser descrito, minimamente, como tenso. Que retirou personagens queridos do público não de maneira vitoriosa, honrosa ou de modo heroico. Foram mutilados e torturados. Não apenas os mortos, mas todos os sobreviventes, com as palavras ditas, na maior parte das vezes, de modo sereno, justamente para afetar os que ali estão.





E o expectador, que está há anos acompanhando a saga dos personagens, sentiu na pele, talvez de um modo distinto do que está habituado a ver em TWD, ou pelo menos, de uma maneira brilhantemente trabalhada que chegou a ser estarrecedora, todo o horror que um mundo pós apocalíptico pode oferecer: o pior da raça humana, que, erroneamente, ainda é chamada de humana.


Para quem quiser ler mais um pouco sobre TWD, é só clicar aqui!
Fonte Imagens

Retipatia

2 comentários:

  1. Olá Rê!
    Seu texto é excelente! Gostei muito da sua análise, ela transmitiu muito do que senti assistindo ao episódio domingo.
    Eu achei muito interessante o recurso de "narração em off" que foi usado. A voz do Negan estava sempre presente, não nos deixava respirar e, claro, senti como se ele estivesse falando não só para os personagens mas também para os expectadores.
    Foi realmente tenso!

    Vamos esperar pra ver o que acontece daqui pra frente...

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